Muitas pessoas que são tatuadas com máscaras Hannya, por vezes, recebem os olhares de reprovação das pessoas. Interessante ressaltar que, não se trata apenas de uma reprovação com a tatuagem, de forma bem direta, mas por conta de toda uma simbologia que este tipo de desenho possui – bem com a ligação direta à falta de conhecimento sobre o desenho e a sua simbologia.

 

As máscaras Hannya são desenhos de seres chifrudos que em diversas religiões apontam para a própria encarnação do mal, o que sugere serem as pessoas que possuem tal desenho tatuado, um indivíduo que cultue a própria encarnação do demônio. Isto, em uma visão religiosa. Entretanto, como elementos históricos, há várias outras explicações para a simbologia das máscaras Hannya, que são desenhos por vezes apreciados até mesmo pelas mulheres.

 

No Japão, por volta do século XIV, as máscaras Hannya eram tipos de máscaras que representavam diferentes humores e identidades das pessoas e / ou personagens ligadas ao feminino. As máscaras estavam diretamente ligadas ao teatro – homens sempre atuaram nos palcos durantes todas as comemorações; já às mulheres, a prática era proibida. Muito exóticas, coloridas, cada modelo tinha uma simbologia distinta. E, não são os “demônios” que as pessoas tatuam, mas as máscaras que eram usadas nas apresentações no teatro japonês.

 

De qualquer forma, as máscaras acabaram sendo associadas às figuras demoníacas por diversas razões. Dentre elas, pode – se observar a ligação com o budismo japonês, já que as hannyas equivaleriam aos intensos e confusos sentimentos humanos, como o ódio, o ciúme, a tristeza, a paixão e o amor, que, em excesso, poderiam transformar as pessoas em seres ruins. Por isso, as máscaras também contém uma ligação direta com o teatro Noh.

 

Mas, o termo hannya não é derivativo do teatro ‘noh’. Trata-se de um termo que é oriundo do sânscrito prajna que significa “sabedoria”. O termo, portanto, remeteria a um processo de sabedoria suprema, ligado ao equilíbrio de todas as forças.

 

Com o passar dos anos, as pessoas acabaram se identificando com o desenho, que passou a ser inclusive um amuleto – por isso tantas pessoas o tatuaram ao longo dos tempos, e especial os orientais. A intenção dos desenhos de máscaras Hannyas era proteger o indivíduo que a portasse e não associar a pessoa às forças demoníacas do universo.

 

Prajna é a necessidade de abrir os olhos das pessoas para a realidade do mundo. Diz-se também que tal nome foi dado em homenagem ao monge Hannya-bô, que aperfeiçoou a criação das máscaras.

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